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A Sociedade do EspetáculoAutor: Guy Debord - resenha resumo citação explicação aula

Autor: Guy Debord


Capítulo 1 – A separação acabada: desvendando o reino imaterial


Para compreendermos as afirmações do nosso colega Debord precisamos nos situar historicamente e geograficamente. Isso mesmo!! O autor se refere abertamente aos “tempos modernos” (estabelecimento do Estado Moderno onde a democracia como sistema político predominante e o sistema capitalista como forma de desenvolvimento econômico hegemônico estão estabelecidos) como fonte de toda “alteração da realidade” por parte da imensa maioria das pessoas que vivem nas sociedades ocidentais. E de fato, o autor tem razão...


A crescente urbanização da população alterou a noção não somente de espaço (as pessoas passaram a viver em grandes cidades e obviamente em espaços significativamente reduzidos), mas também de tempo (a cidade tem uma percepção de velocidade muito mais intensa do que a vida rural). O tempo em uma cela de cadeia de fato é bem mais frenético do que em uma pastagem rural. A diminuição do espaço gera uma sensação de diminuição de tempo também. Os adolescentes que nasceram e viveram predominante nos grandes centros urbanos tem nitidamente uma sensação de que “o tempo não passa” em cidades com muito menos agitação ou em áreas rurais. Essa noção não é de todo falsa...


Por isso a afirmação de que “a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de

produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação” (pg 22) é correta. Não foi o mundo em si que mudou, mas a percepção das pessoas se tornou mais ligada a ideia de “velocidade”. Na medida em que o modo de produção capitalista exige “velocidade” de produção a vida também passa a seguir esse ritmo e o “tempo de contemplação” da realidade se perde em um conjunto de “imagens pré interpretadas” pelos grandes veículos de comunicação. Você não pensa sobre “o que é o amor”, mas você “aprende por meio de imagens” o que é o amor. Você não pensa sobre o “sentido da vida”, mas “assiste seus heróis” lutarem por seus ideais (na realidade os ideais que foram colocados para eles pelo criador do filme ou desenho animado). Por isso o autor se refere a essa artificialidade que vai tomando conta da vida cotidiana das pessoas como a desapropriação das relações sociais e do pensamento humano como um “espetáculo” onde a humanidade é passiva em todos os sentidos e passa a ser mediada por imagens e não por vivências reais e realmente vividas por elas “O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens” (pg 22)


Os sentimentos são parte essencial da vida em sociedade e da humanidade como um todo, mas os sentimentos são fruto direto de relações afetivas e sociais vivenciadas pelo indivíduo. Na medida em que ele vivencia esse turbilhão de sentimentos ele é transformado (e transforma) sua visão de mundo porque sentimentos e pensamentos andam de forma conjunta, mas nem sempre sincronizada. A dinâmica da vida reside no eterno conflito entre razão e emoção promovida por uma desordem e um descompasso entre os dois que vão se digladiando durante o percurso da vida até o momento em que há um acordo tácito entre ambos gerando o que chamamos de “maturidade” ou “lucidez”.




 
 
 

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