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Capítulo 10 – Do Meio Natural ao Meio Técnico-Científico-Informacional - Milton Santos Geografia


Sobre o meio geográfico natural não há o que falar, todavia devemos ressaltar que quando esse meio natural era predominante as culturas, as técnicas e a organização eram locais. Desde as tribos até antes da formação dos Estados Nacionais (variando de território para território): “a sociedade local era, ao mesmo tempo, criadora de técnicas utilizadas, comandante dos tempos sociais e dos limites de sua utilização. Produzindo-a, a sociedade territorial produzia também uma série de comportamentos cuja razão é a preservação e a continuidade do meio de vida” (pag. 188). Agora na Era do meio técnico as relações se tornam mais mecanizadas (Revolução Industrial) e os objetos começam a ser formados (mesmo que rarefeitas) e os sistemas de ação ainda eram incipientes: “eram poucos países e regiões em que o progresso técnico podia instalar-se. E, mesmo nestes poucos, os sistemas técnicos vigentes eram geograficamente circunscritos, de moto que tanto seus efeitos estavam longe de ser generalizados, como a visão destes feitos era igualmente limitada” (pag189)


Agora o terceiro período começa a partir da Segunda Guerra Mundial onde ciência e técnica passam a ser atividades similares a serviço do grande capital (grandes corporações). Esse período que é o que cria condições para que o espaço geográfico seja desposado de maneira mais intensa e ampla modificando profundamente o meio geográfico daí a expressão “meio-técnico-científico-informacional”. Esse termo se aplica ao sistema de objetos e sistema de ações que são ampliados devido as novas técnicas de produção, aliadas com a ciência (a serviço quase que exclusivamente ao grande capital) e aos progressos da informação que estão intimamente associados a ampliação do consumo de todo um conjunto de objetos técnicos (produtos, hidrelétricas, estradas, automóveis – todo tipo de objeto que amplia o conforto e aumenta o desejo de consumo) como bem diz o professor: “neste período os objetos técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos e informacionais já que graças a extrema intencionalidade de sua produção e localização elas já surgem com informação e na verdade a energia principal do seu funcionamento é também a informação. Já hoje quando nos referimos as manifestações geográficas decorrentes dos novos progressos, não é mais de meio técnico que se trata. Estamos diante da produção de algo novo, a que estamos chamando de meio técnico-científico-informacinal.” (pag 190)


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