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Capítulo 13 – Os espaços da racionalidade - Milton Santos Geografia Natureza do Espaço




Os espaços são organizados através de uma lógica racional dominante que, graças a ação da grande mídia e por meio de um discurso único de “financeirização” da vida comum (o dinheiro como elemento central dos relacionamentos humanos), se tornou elemento comum tanto para as forças de verticalização (grandes atores globais como as corporações) como para as forças de horizontalização (pequenos atores locais e comunidades) que é a chamada “economia”. A economia (que inclui mais renda, mais empregos, mais bens de consumo, mais conforto materialetc) é o grande denominador comum de todasas ações sociaisna sociedade contemporânea. Tudo gira em torno da economia.


O chamado espaço geográfico, e consequentemente a grande maioria dos fluxos que os anima, giram em torno de uma busca desenfreada por ganhos que só podem ser concretizados (segundo o discurso) por meio e através de uma economia globalizada “o que comumentese chama de espaço de fluxos na realidade não abrange todo espaço. Trata-se na realidade de um subsistema formados de pontos ou no máximo linhas e manchas onde o suporte essencial são os artefatos destinados a facilitar a fluidez e autorizar o movimento de fatores essenciais da economia globalizada” (pag 236). Todo o sistema se movimenta neste sentido: facilitar a fluidez é facilitar o fluxo de objetos técnicos (produtos, meios) que alicerçados pelos sistemas de ações (mídia, comportamento, moda, estímulos, informacional etc) aumentam a fluidezda economia (vendas, lucro, PIB, economia local, regional, nacional).Os principais indicadores de “progresso” das sociedades contemporâneas é o nível de sua economia (vendas),seu conforto material(consumo) e de seus ganhos (salários). Outros indicadores como felicidade, solidariedade, saúde, educação, moradia e outros são considerados secundários e em muitos casos desnecessários: “ a localização de infraestruturas é resultado de um planejamento que sobretudo interessa aos atores hegemônicos da economia e da sociedade de modo que na medida em que o processo de racionalização não é mais resultado de forças anônimas do mercado, mas é decidido pela consciência de uma minoria planejadora também a massa de sujeitos deve ajustar-se: o sujeito deve, por assim, dizer, dedicar todas as suas energias a estar dentro e a partir do movimento das coisas os termos da definição pragmática” (pag 238)


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