Filme O nome da Rosa - Ensaio sobre a natureza humana e sua complexidade social
- Ubiratan Machado

- 9 de mai. de 2023
- 2 min de leitura

Em primeiro momento do filme ou em uma análise um tanto hollywoodiana do filme é possível entender que o filme trabalha a questão da Inquisição e da intricada relação entre a religião e o poder em si. No entanto, uma análise um pouco mais precisa nos leva a compreender que não se trata disso, mas o filme trata da imensa complexidade humana de “interpretar” a realidade do entorno mesmo com dogmas bem delimitados e com a perspectiva clara e inequívoca de punição. É possível afirmar tal perspectiva porque todos os principais envolvidos na trama de fato são padres da referida Igreja Católica. Todos estão sobre o “guarda chuva” da santíssima fé que detém o incrível e “eficiente” aparato repressor da Santa Inquisição (mais temida que a Gestapo Alemã).
Mas, apesar disso (e talvez por isso mesmo) entre eles mesmos se desenvolvem múltiplas formas de entender o que é “preservar a fé” em Cristo. Como o diálogo é proibitivo (o risco de ser denunciado pelo próprio companheiro de “farda” como herege é grande) no silêncio individual de cada membro da ordem se desenvolve um mundo paralelo que o próprio indivíduo supõe ser “O MUNDO REAL E SANTO”. A ausência e o medo do diálogo estimulam esse “autismo social” ao mesmo tempo em que a certeza da correta interpretação das sagradas escrituras os faz deduzir que todos os demais colegas chegaram a essa mesma conclusão pelo “Espírito Santo”. Nosso querido abade Jorge de Burgos (chefe da congregação – cego) é um grande guardião do silêncio coletivo porque ele próprio (tendo acesso aos livros e a diversidade gigantesca de ideias que pode produzir um intelecto humano sem delimitações conceituais) sabe o volume de obras que um intelecto livre pode produzir. Adverso ao riso e ao “relaxamento” da disciplina ele repreende qualquer manifestação no sentido contrário. Seu fiel discípulo Malaquias não possui a mesma compreensão intelectual de seu mestre, mas é fiel a ele. Interessante notar que Malaquias é um dos capítulos mais citados pelos lobos para a exigir dízimos dos fiéis. Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. Malaquias 3:8-10
Ensaio completo ver: https://www.geografiaonline.com.br/resenhafilmesescrita
Comentários