Livro: O Amor Líquido Zygmunt Bauman – sobre a fragilidade dos relacionamentos humanos
- Ubiratan Machado

- 2 de mai. de 2023
- 2 min de leitura

Artigo 01
Parte 1: Apaixonar-se ou desapaixonar-se
O amor não é definitivamente uma experiência em absoluto. Tal como a morte, o amor depende de circunstancias específicas para acontecer. Não se morre sem um “contexto adequado”. A morte é o conjunto final de acontecimentos que mistura um horário mais cedo que a pessoa acordou, o farol que ela furou, o compromissou que ela rejeitou, um sonho que ela não se atentou e tudo mais que evoque a coincidência ou o mistério divino do destino. Em alguns casos quando alguém pergunta como foi “aquilo aconteceu” se referindo a pessoas que morreram “injustamente” a frase mais dita é “no lugar errado e na hora errada”. Não há outra explicação plausível que convença as pessoas a não ser um “bom contexto”. O amor parece seguir o mesmo caminho. É preciso um “conjunto de eventos entrelaçados” para explicar o fenômeno tão intenso. Quando esse “contexto” acontece o evento é fulminante. É um evento de “destino” e você não teria como escapar nem se quisesse tal como acontece na morte.
A comparação entre os dois fenômenos é fantástica realmente. Desta forma o “contexto” diz mais sobre a situação do que a própria pessoa. O “amor encontra lugar” quando existe abertura para ele tal como a morte também encontra lugar quando “existe abertura” (neste caso o contexto é mais profundo então nos ateremos ao amor onde as chances de sobrevivência ainda são grandes) como bem afirma o autor “Quando acontecer, vai pegar você desprevenido. Em nossas preocupações diárias, o amor e a morte aparecerão ab nihilo — a partir do nada” (pg 15). Você pode não perceber o contexto, mas ele existe. Um desalento com a profissão, uma decepção familiar, uma decepção partidária, um confronto ético ou dilemas pessoais podem “abrir” caminho para um tipo de amor ou “fechar” as portas para outro tipo de amor. O “estado de espírito” de uma pessoa conta muito. O problema todo começa quando a “lógica capitalista” entra na equação do amor. Onde essa lógica adentra ela imprime ritmo e velocidade (falando novamente sobre o fenômeno da velocidade) porque a “mercadoria precisa circular” e “tempo é dinheiro”. Quanto mais tempo ela demora para circular menos dinheiro eu ganho e quanto mais rápido ela circula mais dinheiro eu ganho. Obviamente não podemos negar que o “amor” é uma mercadoria das mais vendáveis de todos os tempos.
O mundo do “entretenimento” vende amor com mais facilidade do que venderia água (ou mesmo coca-cola). Todos os filmes precisam ter um “romance” para que gerem algum tipo de simpatia em seu público. Filmes policiais, filmes de terror, filmes de ação, filmes de ficção, filmes infantis ou qualquer mercadoria hollywoodiana tem que ter uma “pitada de romance” para gerar “liga” no público. O “amor” ou o “apaixonar-se” desta forma, esta sempre em evidencia e nos faz crer que é algo que se acha em qualquer esquina... Obviamente o efeito da “velocidade de circulação” sob o conceito de amor teve seus efeitos “Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de “fazer amor”(pg 17)
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