Ser ou não ser eis a questão! Ter ou não ter eis a questão – Modernidade e Pós Modernidade
- Ubiratan Machado

- 15 de mai. de 2023
- 2 min de leitura

Eternizado por Shakespeare o dilema do homem moderno se resumia a esse grande questionamento pessoal e social “Ser ou não ser”. Não agir ativamente em um mundo em transformação (lembre-se estamos passando da Idade Média onde não havia mobilidade e a expressão da individualidade era suprimida pela tradição da nobreza familiar – seguir a tradição era o lema) que abria espaço para a expressão individual era “suicídio” ou “covardia”.
Em cada área social a ser construída pessoas se destacavam e davam sua contribuição para um “mundo melhor” e esse “brilho individual” instigava as pessoas a serem mais ousadas em suas visões pessoais. Elas queriam “ser”! Elas queriam elaborar ideias sobre um mundo melhor e expressar essas ideias através de livros, agremiações comunitárias, partidos políticos, nas artes ou no teatro. Em cada uma das áreas a individualidade e a originalidade era exaltada como um valor máximo de “ser”. A ideia de “deixar minha marca no mundo” ou de “deixar meu legado” ia muito além do reconhecimento familiar (marca da nobreza) ou de um grupo restrito. Eventos como a coroação do plebeu Napoleão como Imperador da Europa criava um áurea de que o indivíduo era realmente capaz de quebrar tradições e regras sociais impostas pela coletividade. O individuo era maior que o todo social...
A proeza de submeter a coletividade a vontade individual gerou delírios da modernidade e elevou o SER a uma potencialidade transformadora. O próprio nome “Napoleão” virou um sinonomio de superação individual sobre o coletivo. Quando alguém se destacava em uma área era chamado de “Napoleão” tal como hoje é chamado de “Pelé” (sinônimo de genialidade e destaque). Todavia quando a Modernidade (gestada e gerida pelo Estado-Nação em contraposição a Idade Média da Nobreza familiar e de pouca mobilidade) passou a ceder lugar para a Pós-Modernidade (gestada e gerida pelo Mercado de Consumo) o “ser” passou a ceder lugar para o “ter”. A expressão máxima da individualidade era atestada pela sua capacidade de conseguir “bens exclusivos” e “singulares” (exclusividade é a palavra do capitalismo para expressar sua capacidade de estar “acima dos outros mortais”).
O ser passou a ceder lugar para o ter. A individualidade da contribuição social passou a ser ofuscada pelo TER de bens e serviços. O Mercado ofuscou a “contribuição social” para dar lugar ao “poder de consumo”. Hoje as pessoas se questionam “Ter ou não ter eis a questão” para tentar compreender o porque pagar tão caro em produtos com a “grife exclusividade” e a resposta é sempre ditada pelo próprio mercado: existir em destaque – deixar sua marca -ser um influenciador...
Influenciador de quê? Influenciador de quem? Influenciador para quem? Seriam perguntas a serem feitas...
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