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Sociedade Pós-Moderna: do cidadão ativo ao consumidor consciente




Se a Modernidade foi uma era histórica marcada pela intensa atratividade que as instituições sociais exerceram sobre as pessoas a chamada Era Pós-Moderna é um tanto diferente. Na Era Moderna o ponto de atratividade (ponto onde as pessoas se identificavam e queriam fazer parte para poder se autoconhecer) era o Estado e todas as suas instituições adjuntas (executivo, judiciário, polícia, escolas, igrejas, partidos políticos, agremiações, esportes etc) que nasciam no seu entorno. As pessoas se agrupavam e se identificavam com as coletividades e suas mais diversas causas sociais...


O movimento das pessoas era em direção a um ponto ideal apontado por um coletivo e todo o conjunto de suas ideologias (formas de ver um mundo melhor através do resultado da ação destes grupos: quem era adepto da educação entendia que o mundo seria melhor se as pessoas fossem mais educadas e tinha o ideário que a educação era o futuro e base para uma sociedade mais justa e igualitária. O esporte pensa a mesma coisa través do slogan: o esporte salva vidas e prepara o cidadão etc). Cada grupo vendo-se mais capaz de intervir de maneira mais satisfatória na realidade circundante. A esperança de melhorar o mundo estava assentada em cada grupo social e seus integrantes trabalhavam ativamente neste sentido.


A Pós-Modernidade marcada pela ascensão do Mercado que aponta insistentemente para a figura do consumidor como elemento central da sociedade (em detrimento do cidadão) tende a deslocar o foco das “ações coletivas” (movimentação de pessoas em um determinado sentido através de ações sociais próprias de cada grupo para melhoria social. Grupo social do esporte age por meio do esporte para gerar impactos sociais. Grupo da política age por meio da política visando melhorias sociais etc) para o “poder do consumidor consciente”. Ou seja, um número X de consumidores conscientes podem gerar mudanças em todos os âmbitos da sociedade somente “consumindo ou não” um determinado produto afim de “forçar” ou “obrigar” as organizações a terem um comportamento socialmente responsável.


Na Pós-Modernidade as ações físicas dos grupos sociais tendem a ser substituídas pelo ato “ativo” de consumir ou não um determinado produto. O cidadão ativo das barricadas da Revolução Francesa é substituído por um cidadão passivo das barricadas do supermercado. O consumidor (cidadão) da pós modernidade é um ente que age nas barricadas das gondolas e carrinhos de supermercado. Ele é ativou consumindo ou não um produto. Isso é fruto da crescente pressão para que a figura do cidadão ceda lugar para a figura do consumidor. O chamado “consumo consciente” é a chamada para a Revolução Pós-Moderna que busca descartar o cidadão moderno e fazer ascender a figura do consumidor pós-moderno que age por meio do consumo. Eles se organizam através do mercado consumidor.


O cidadão consciente de hoje é o consumidor consciente. Não é mais preciso agir socialmente, mas apenas optar pelas mercadorias certas para mudar a sociedade. Comprar apenas de empresas socialmente engajadas ou ecologicamente sustentáveis. Eis a Revolução da Pós-Modernidade propagada pelo Mercado de Consumo...





 
 
 

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